O DESPERTAR SAUDÁVEL DA SEXUALIDADE

O DESPERTAR SAUDÁVEL DA SEXUALIDADE

Um primeiro conceito necessário para abordarmos uma sexualidade saudável, é compreendermos a relação entre sexualidade e infância e de o que é a criança.

Para começar, devemos olhar para a criança da forma que ela realmente é, lembrando que o universo da infância, principalmente do zero a sete anos, é dotado totalmente de inocência.

Nessa fase da vida, as crianças não estão devidamente acordadas para sexualidade, o que é facilmente visível no cotidiano, visto que as crianças não reconhecem “menino” e “menina”. Criança é criança.

Essa noção de separação de gênero e sexualidade ainda não existe. Ela não se impressiona com a diferença sexual, ela olha o ser humano e vê apenas o ser humano.

Por que a criança tem essa inocência e dome em relação a sexualidade?

Isso ocorre pois a criança em si não está separada do mundo, ela vive em fusão e conexão com o mundo. Apenas com o passar do tempo e amadurecimento que ela gradualmente vai ganhando essa noção de diferenciação, o que inclui a noção de diferenciação dos gêneros.

Para aprofundarmos na compreensão da sexualidade, precisamos entender o significado da palavra sexo. Sexo significa dividir, separar, cortar em pedaços. E a criança nos mostra que antes mesmo dela encarar a realidade sexual existe essa inteireza.

Tal visão é perceptível inclusive no desenvolvimento embrionário, quando o feto está na barriga da mãe. O feto porta em si, até a sétima semana, a capacidade de se desenvolver em ambos os gêneros, fase durante a qual não é possível identificar o seu sexo.

Ou seja, todos nós começamos nossa existência da terra como um ser primordial único e apenas na sétima semana da embriogênese que ocorre a diferenciação.

Temos que pensar que se: algo foi dividido, antes foi inteiro. A criança nos mostra que em algum momento fomos inteiros. Sexo tem a função de mostrar essa separação e posteriormente unir, através do encontro com o outro. E por isso é tão impactante e tão importante em nossa existência.

O sexo tem a função de unir o que foi separado por uma necessidade do desenvolvimento do ser humano.

Em que momento a criança começa a perceber a sexualidade?

A diferenciação sexual começa a acontecer entre os 9 e 10 anos de idade, momento no qual os hormônios começam a estar presentes na corrente sanguínea e as células germinativas começam a amadurecer.

O processo tende a ser finalizado em torno dos 13 a 15 anos. Mas isso vai depender da quantidade de estímulos externos que essa criança e pré-adolescente recebeu.

A diferenciação sexual é um processo natural e totalmente silencioso. Hormônios começam a aumentar e lentamente vao levando esse corpo a um desenvolvimento reprodutivo.

Despertar para a sexualidade é despertar para a diferença do outro ser humano. É importante perceber que o que acontece em silencio no corpo acontece também na alma. É nessa fase dos 9 a 10 anos em que ocorre o primeiro amor platônico. A primeira expressão na alma da percepção dessa diferenciação.

Ao perceber esse momento do amor platônico, do encantamento da criança por outro ser humano, e que é vivido pela criança em segredo, os pais conseguem perceber que os processos fisiológicos silenciosos já estão acontecendo.

Sob a perspectiva do que é natural e saudável, a sexualidade deve surgir na infância nessa forma, a partir do despertar silencioso e fisiológico ao mesmo tempo do surgimento do primeiro amor platônico em torno dos a 9 a 10 anos. Tudo isso tem uma magia que possibilita uma linda experiência para a alma da criança.

Um problema
Nos dias de hoje percebemos cada vez mais esse amadurecimento precoce devido a exposição ainda muito cedo a conteúdos eróticos, o que é visível, por exemplo em meninas menstruando tão cedo quanto 10 anos.

Quando a criança é apresentada a conteúdos sexuais, seja visíveis e explícitos, como a pornografia, ou implícitos, como comerciais, cenas novelas, o processo de amadurecimento é acelerado, acontecendo antes desse corpo estar fisiologicamente pronto.

Quando isso ocorre, a criança deixa de viver esse momento tão lindo e mágico de descobrimento do amor e afeto de seu primeiro amor platônico.

Infelizmente hoje esse processo não tem sido levado em consideração. As crianças estão imersas em um mar de imagens eróticas e por mais que os pais tentem os preservar, algo sempre escapa.

Qual é o papel dos pais perante esse contexto? Abordarei essa questão em meuo próximo texto!

Com muito amor, afeto e gratidão me despeço.

Luciana Fernandes,
Especialista em Desenvolvimento Humano e no Novo Aprendizado do Adulto.

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